Benedito Calixto
Pintor brasileiro
Biografia de Benedito Calixto
Benedito Calixto (1853-1927) foi um pintor, ensaísta e historiador brasileiro. Ele é reconhecido como um dos mais proeminentes artistas do Brasil no início do século XX. Nascido em Conceição de Itanhaém, São Paulo, no dia 14 de outubro de 1853, Calixto começou sua trajetória artística precocemente, realizando suas primeiras pinturas aos oito anos de idade. Aos 17 anos, mudou-se para Brotas, uma cidade que prosperava graças à produção de café.
Em Brotas, Calixto começou a ajudar seu irmão mais velho na restauração de imagens sacras de uma igreja local. Durante seu tempo livre, ele pintava paisagens da cidade. Sua habilidade logo o levou a receber encomendas para retratos e paisagens das fazendas de café da região.
Carreira artística
Em 1877, Calixto retornou à sua cidade natal, Itanhaém, e casou-se com uma prima de segundo grau, com quem teve três filhos. No final de 1881, mudou-se com sua família para Santos, onde se destacou na decoração de tetos e paredes de mansões de comerciantes prósperos. No mesmo ano, realizou sua primeira exposição no salão do jornal Correio Paulistano, em São Paulo. Em 1882, trabalhou na oficina de Tomás Antônio de Azevedo e decorou o teto do Teatro Guarany, em Santos.
Em 1883, Benedito Calixto viajou para Paris com o apoio do Visconde de Vergueiro, onde estudou no ateliê do mestre Jean François Rafaelli e na Academia Julian. Durante sua estadia, teve a oportunidade de conviver com renomados pintores, como Gustave Boulanger e William-Adolphe Bouguereau.
Ao voltar para Santos em 1884, Calixto introduziu o uso da câmera fotográfica em seu trabalho, sendo um dos primeiros no Brasil a usar essa técnica na elaboração de suas pinturas. Entre 1890 e 1897, residiu em São Paulo, criando obras relevantes para o Museu do Ipiranga e para a Bolsa do Café de Santos. Essas obras estão ligadas à leitura pública do Floral de Elevação de Santos à condição de Vila, ocorrida em 1545.
As obras de Calixto costumam retratar as autoridades políticas e sociais da época, como nos quadros que representam o Marco Zero da cidade, quando Brás Cubas fundou a Vila e inaugurou o Pelourinho. Em 1898, participou do Salão Nacional de Belas Artes e, em 1904, conquistou medalha de ouro na Exposição de Saint-Louis, destacando-se ainda mais no cenário artístico nacional.
Durante sua carreira, Benedito Calixto criou um vasto número de obras, incluindo paisagens urbanas, rurais e marinhas, retratos e composições religiosas. Suas telas mais notáveis incluem “Largo do Rosário em Santos” (1850), “Largo dos Remédios” (1862) e “Estação da Luz” (1880). Em suas obras de retrato, estão figuras históricas como o “Retrato de Padre José de Anchieta” (1902) e o “Retrato de Dom Pedro I” (1902).
Calixto também é conhecido por suas imponentes obras religiosas, como os afrescos pintados no Palácio Episcopal de São Carlos e as telas da Igreja Matriz de São João Batista, incluindo “Transfiguração” e “Degolação de João Batista”. Em 1924, ele foi honrado com a comenda e a Cruz de São Silvestre pelo Papa Pio IX, em reconhecimento ao seu serviço artístico à Igreja.
Ele faleceu em São Paulo, na casa de seu filho Sizenando, no dia 31 de maio de 1927. O legado artístico de Benedito Calixto perdura como um testemunho de sua contribuição significativa à pintura brasileira.
Obras de Benedito Calixto
- Porto de Santos (1890)
- Carregamento no Porto de Santos (1890)
- Mata Atlântica (1894)
- Retrato de Martim Afonso de Souza (1900)
- Porto com Navios (1900)
- O Descobrimento (1901)
- Arredores de Itanhaém (1901)
- Retrato de Dom Pedro I (1902)
- Retrato de José Bonifácio de Andrade Lima (1902)
- Retrato de Domingos Jorge Velho (1903)
- Praia de Itararé – São Vicente (1905)
- Ponta da Praia – Santos (1915)
- São Vicente (1918)

