Afonso Pena
Ex-presidente do Brasil
Biografia de Afonso Pena
Afonso Pena (1847-1909) foi o 6.º presidente do Brasil, exercendo o cargo entre 15 de novembro de 1906 e 14 de junho de 1909. Faleceu antes de completar seu mandato, sendo sucedido por Nilo Peçanha.
Afonso Augusto Moreira Pena nasceu em Santa Bárbara, Minas Gerais, no dia 30 de novembro de 1847. Era filho de Domingos José Teixeira Pena, um imigrante português, e da brasileira Ana Maria dos Santos. A educação de Afonso teve início no Colégio do Caraça, gerido pelos Padres Lazaristas, e ele se formou como bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1870.
Na juventude, Afonso Pena teve a companhia de importantes figuras da política, como Rodrigues Alves, Rui Barbosa e Castro Alves. Ele começou sua carreira na magistratura, mas logo se dedicou à política, onde faria história.
Carreira Política
Afonso Pena construiu uma sólida trajetória política, sendo eleito Deputado da Província de Minas Gerais em 1874 e, posteriormente, quatro vezes deputado geral entre 1878 e 1889 pelo Partido Liberal. Durante esse período, acumulou importantes cargos, como Ministro da Guerra em 1882 e Ministro da Justiça em 1885.
Após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, Afonso Pena não hesitou em participar ativamente da nova estrutura política, desempenhando um papel significativo na Assembleia Constituinte mineira e atuando como relator da Constituição Estadual. Sua ascensão política o levou à presidência de Minas Gerais após o afastamento de Cesário Alvim.
Em 1892, foi um dos fundadores e diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, além de ser responsável pela transferência do governo de Ouro Preto para Curral del-Rei, onde começou a construção da nova capital, Belo Horizonte, em 1894.
Nesse período, Afonso Pena assumiu a presidência do Banco do Brasil, durante o mandato de Prudente de Moraes. Em 1900, também atuou como presidente do conselho deliberativo de Belo Horizonte, função correspondente ao cargo de prefeito.
Com a morte de Francisco Silviano de Almeida Brandão, vice de Rodrigues Alves, Afonso Pena foi eleito vice-presidente da república para o quadriênio 1902-1906.
Presidente da República (1906-1909)
Na sucessão de Rodrigues Alves, Afonso Pena foi escolhido como candidato à presidência em 1905, concorrendo com Nilo Peçanha. Eleito com uma significativa maioria de votos, escolheu seu ministério e partiu em uma viagem de quatro meses por todos os estados litorâneos do Brasil, buscando ouvir a opinião dos governos locais.
Durante seu governo, destacou-se a conferência internacional de paz, realizada em Haia, na qual o Brasil foi representado por Rui Barbosa, defendendo os interesses das nações menores contra os privilégios das grandes potências.
Afonso Pena implementou uma política econômica com foco na “valorização do café”, elaborada pelo ministro da Fazenda, Davi Campista. Seu governo teve como objetivo acelerar a imigração, resultando em cerca de 100 mil colonos italianos se estabelecendo no sul do país até 1908.
O presidente também apoiou um extenso programa ferroviário, criando o Serviço Geológico e Mineralógico para pesquisa e aproveitamento das riquezas minerais do Brasil. Além disso, modernizou a esquadra brasileira com a incorporação de couraçados como Minas Gerais e São Paulo.
Afonso Pena permaneceu no cargo até sua morte, em 14 de junho de 1909, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Após seu falecimento, o vice-presidente Nilo Peçanha assumiu a presidência.
Nilo Peçanha e o Governo Posterior
No governo de Nilo Peçanha, foi criado o Serviço de Proteção ao Índio, sob a direção do Marechal Rondon. O período também foi marcado por uma intensa campanha sucessória, onde as relações entre São Paulo e Minas Gerais foram rompidas, dando início ao primeiro grande conflito na política do “Café-com-Leite”. Neste momento, São Paulo apoiou a candidatura de Rui Barbosa, enquanto Minas Gerais, em aliança com o Rio Grande do Sul, sustentou a candidatura do marechal Hermes da Fonseca, que, com o respaldo de Peçanha, saiu vencedor nas eleições.

