Chico Mendes
Sindicalista brasileiro
Biografia de Chico Mendes
Chico Mendes (1944-1988) foi um líder seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro. Ele se destacou na luta pela preservação da Floresta Amazônica e pela defesa das seringueiras nativas. Seus esforços resultaram no reconhecimento internacional, recebendo da ONU o Prêmio Global de Preservação Ambiental.
Chico foi assassinado em 1988, devido à sua resistência contra os fazendeiros que desmatavam a floresta. Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, nasceu em Xapuri, Acre. Desde criança, acompanhava seu pai pela floresta e já testemunhava o desmatamento na região. Sem acesso à escola, foi alfabetizado apenas aos 19 anos.
Sindicalista
Em 1975, Chico Mendes iniciou sua trajetória como sindicalista, sendo nomeado secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Basileia. No ano seguinte, ele começou a lutar pela posse de terra para os habitantes locais. Durante essa luta, criou os “empates” – ações pacíficas em que a comunidade se mobilizava para formar barreiras físicas com o próprio corpo, impedindo o desmatamento.
Ativista Ambiental
Em 1977, participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri e foi eleito vereador pelo MDB, começando a receber ameaças de morte dos fazendeiros. Em 1981, assumiu a presidência do Sindicato de Xapuri, tornando-se uma figura central na defesa dos seringueiros.
Em 1982, Chico tentou se eleger como deputado federal pelo PT, mas não obteve êxito. No entanto, em 1984, enfrentou acusações por incitar a violência entre os posseiros, mas foi absolvido por falta de provas. Em outubro de 1985, liderou o Primeiro Encontro Nacional de Seringueiros, onde propôs a “União dos Povos da Floresta”, um manifesto que buscava a união de indígenas, trabalhadores rurais e seringueiros na defesa da Amazônia.
Repercussão Internacional
A luta de Chico Mendes rapidamente ganhou repercussão nacional e internacional. Em 1987, ele discursou no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde denunciou a destruição da floresta e pediu a suspensão do financiamento para a construção da BR-364, que atravessaria o estado de Rondônia em direção ao Acre. O objetivo da rodovia era facilitar o escoamento da produção da região Amazônica.
Após ser ouvido por uma comissão da ONU em 1987, as pressões finalmente surtiram efeito: dois meses depois, o BID suspendeu o financiamento e exigiu que o governo brasileiro realizasse um estudo de impacto ambiental. O Senado americano também fez recomendações a bancos que financiavam projetos na região, enquanto Chico Mendes recebia o Prêmio Global 500, de Preservação Ambiental, da ONU.
Morte
Chico Mendes enfrentou constantes ameaças de morte em 1988, oriundas de grupos ligados a organizações clandestinas que desmatavam a região. Após diversos conflitos, ele foi assassinado em sua casa em Xapuri.
Os responsáveis por sua morte, Darly Alves da Silva e seu filho Darci, foram julgados e condenados a 19 anos de prisão em 1990. Entretanto, conseguiram fugir em 1993 e só foram recapturados em 1996, ganhando liberdade condicional em 1999.
Chico Mendes faleceu em 22 de dezembro de 1988, deixando sua esposa, Ilzamar Gadelha Mendes, e seus filhos: Sandino, Elenira e Ângela, filha do primeiro casamento.
Memorial Chico Mendes
A casa onde Chico Mendes viveu foi transformada em um memorial em Xapuri, atraindo um grande número de visitantes.
Instituto Chico Mendes
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, foi fundado para implantar, gerir e proteger as Unidades de Conservação no Brasil.
O legado de Chico Mendes
Chico Mendes deixou um legado duradouro na luta pelos direitos dos trabalhadores e pela preservação do meio ambiente. Sua história é um convite à reflexão sobre a importância da conservação das florestas e do respeito à biodiversidade que habitam o planeta.
Até hoje, sua vida e suas ações inspiram novos ativistas e defensores dos direitos ambientais. A luta por sua causa continua, destacando a relevância de vozes que se levantam em prol da natureza e dos direitos humanos.

