Café Filho
Ex-Presidente do Brasil
Biografia de Café Filho
Café Filho (1899-1970) foi o 18.º presidente do Brasil. Eleito vice-presidente em 1950 na chapa com Getúlio Vargas, assumiu a presidência em 24 de agosto de 1954, após o suicídio de Vargas. O governo durou pouco mais de um ano, encerrando em 8 de novembro de 1955, quando ele se afastou por motivos de saúde.
João Fernandes Campos Café Filho nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, no dia 3 de fevereiro de 1899. Filho de João Fernandes Campos Café e Florência Amélia Campos Café, seu avô paterno era senhor de engenhos, mas perdeu as terras herdadas.
Café Filho estudou no Grupo Escolar Augusto Severo e no Colégio Estadual Ateneu Norte Riograndense. Em 1917, ele se mudou para o Recife, onde ingressou na Academia de Ciências Jurídicas e Comerciais, trabalhando como comerciário para manter seus estudos.
Embora tenha retornado a Natal sem concluir seus estudos superiores, prestou concurso para o Tribunal de Justiça, onde obteve êxito e começou a atuar em defesa dos trabalhadores das camadas populares.
Em 1917, fundou o Jornal do Norte, escrevendo sobre as más condições de vida dos trabalhadores. Apoiou a Reação Republicana, movimento que lançou a candidatura de Nilo Peçanha à presidência.
Com a vitória de Artur Bernardes em 1922, a repressão aos grupos oposicionistas cresceu em todo o país.
Início da Carreira Política
Em 1923, Café Filho tentou uma vaga como vereador de sua cidade, mas não teve sucesso. Participou de greves e manifestações dos trabalhadores, sofrendo repressão policial.
Para escapar de um cerco policial em sua residência, fugiu para Bezerros, Pernambuco, onde trabalhou na prefeitura e passou a editar o Correio de Bezerros.
Em 1925, mudou-se para o Recife e dirigiu o jornal A Noite, onde escreveu artigos incentivando soldados a se recusarem a combater a Coluna Prestes. Foi processado, retornou a Natal e passou três meses na prisão.
Em 1928, tentou novamente uma vaga na Câmara Municipal de Natal, sendo eleito, mas o governo adulterou os resultados para favorecer seus partidários.
No ano seguinte, foi fundado a Aliança Libertadora, partido político que visava reunir a oposição. Após realizar comícios em Natal, Café Filho sofreu novas represálias e teve que fugir para Recife.
Em 1929, transferiu-se para o Rio de Janeiro e tornou-se redator do jornal A Manhã. Nesse ano, fundou a Aliança Liberal, uma coligação opositora.
No dia 20 de setembro de 1929, participou da convenção que oficializou a chapa de Getúlio Vargas e João Pessoa para a presidência. Impedido de voltar ao seu estado, coordenou a campanha na Paraíba, mas Júlio Prestes foi eleito com o apoio da máquina governamental.
Café Filho e a Revolução de 1930
A derrota da Aliança Liberal e a crise econômica criaram condições para a aproximação dos tenentes com a Ala Jovem da Oligarquia, que optou pela luta armada contra o governo federal, iniciando em 3 de outubro.
Café Filho foi ao Rio Grande do Norte liderando um grupo armado para abrir caminho para os contingentes da Paraíba, ocupando pacificamente Natal em 4 de outubro.
A junta governativa foi formada em 6 de outubro, com Café Filho como chefe de polícia, determinando a liberação de todos os presos políticos.
Com a chegada de Juarez Távora, líder revolucionário, Irineu Joffily foi empossado em 12 de outubro. As operações militares favoreceram os revolucionários e, em 24 de outubro, Washington Luís foi deposto.
Getúlio Vargas assumiu em 3 de novembro de 1930, dando início à Era Vargas, marcada por um regime autoritário que suspendeu a Constituição de 1891 e fechou o Congresso Nacional.
Deputado Federal
Em abril de 1933, fundou o Partido Social Nacionalista (PSN). Em junho, sobreviveu a um atentado organizado por um oficial do Exército. Após perder a chefia da polícia, mudou-se para o Rio de Janeiro e trabalhou como inspetor do Ministério do Trabalho até julho de 1934.
Com a promulgação de uma nova Constituição em 16 de julho de 1934, que aprovou os direitos trabalhistas e a eleição indireta do presidente, Café Filho voltou ao RN e foi eleito deputado federal na legislatura iniciada em 3 de maio de 1935.
O cenário político foi marcado pela radicalização e o crescimento da Aliança Nacional Libertadora (ANL), que impediu a realização de eleições e radicalizou a situação. Vargas decreta a ilegalidade da ANL em 11 de julho de 1935.
O Golpe de Vargas e o Exílio de Café Filho
No ano de 1937, Vargas, preparando um golpe com o apoio de generais, ameaçou Café Filho que denunciava publicamente a situação. Em 14 de outubro, sua casa foi invadida pela polícia, e ele buscou asilo político na Argentina.
O golpe começou em 10 de novembro de 1937, resultando no fechamento do Congresso e na outorga de uma nova Constituição, marcando o início do Estado Novo.
Segundo Mandato de Deputado Federal
Em maio de 1938, Café Filho voltou ao Brasil e dedicou-se a atividades privadas até março de 1945, período em que foi eleito deputado federal. Assinou um decreto de anistia e anunciou eleições para dezembro, levando à queda do Estado Novo de Vargas.
Vargas, mesmo deposto, manteve prestígio suficiente para que Eurico Gaspar Dutra, apoiado por ele, fosse eleito presidente em 1945.
Integrando a Comissão Constitucional, Café Filho participou ativamente na redação da nova Constituição.
Vice-Presidente da República
Em agosto de 1950, Café Filho foi escolhido como vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas. Eleito, tomou posse em 31 de janeiro de 1951, destacando seus principais papéis no Congresso.
Promoveu a criação do Parque Indígena do Xingu e chefiou a delegação para a posse do general Carlos Ibañez no Chile, discutindo a consolidação de blocos políticos na América do Sul.
No entanto, seu governo enfrentou forte oposição, especialmente da UDN, que exigia a destituição de Vargas.
Café Filho na Presidência
Com o suicídio de Vargas em 24 de agosto de 1954, Café Filho assumiu a presidência. Formou um ministério majoritariamente da UDN e prometeu realizar as eleições presidenciais de outubro de 1955.
Ele herdou uma crise financeira significativa, lidando com inflação e déficit. Iniciou uma política de estabilização monetária e autorizou pesquisas de petróleo em várias regiões.
Doença e Sucessão
As eleições de 1955 resultaram na vitória de Juscelino Kubitschek. A saúde de Café Filho deteriorou-se, levando ao seu afastamento e à sucessão por Carlos Luz, que tentou impedir a posse dos eleitos. Finalmente, o presidente do Senado, Nereu Ramos, deu posse a Juscelino e Goulart em 31 de janeiro de 1956.
Últimos Anos e Morte
Afastado da política, Café Filho trabalhou em uma empresa imobiliária e foi nomeado ministro do Tribunal de Contas do Estado da Guanabara, cargo que ocupou até 1969. Ele publicou suas memórias em 1966 e faleceu no Rio de Janeiro em 20 de fevereiro de 1970, deixando uma trajetória política rica e influente.

