Ataulfo Alves
Compositor e cantor brasileiro, Ataulfo Alves foi uma figura icônica na música popular brasileira. Suas canções emocionantes e letras marcantes tornaram-se clássicos eternos.
Biografia de Ataulfo Alves
Ataulfo Alves de Sousa, nascido em 2 de maio de 1909, na fazenda Cachoeira, em Miraí, Minas Gerais, foi criado em uma família numerosa. Filho de Severino de Sousa e Matilde de Jesus, era o mais novo de sete irmãos. Desde cedo, a influência musical do pai, que era violeiro e sanfoneiro, moldou seu futuro.
Infância e Juventude
Após a morte de seu pai, aos dez anos, a família teve que mudar-se para a Rua do Buraco, onde Ataulfo teve que trabalhar em várias atividades para ajudar no sustento. Estudante no Grupo Escolar Dr. Justino Pereira, ele encontrou a oportunidade de mudar-se para o Rio de Janeiro em 1927, na busca por melhores condições de vida.
Em sua nova vida, trabalhou no consultório de um médico e, à noite, ajudava nas tarefas domésticas. A insatisfação com a rotina fez com que ele buscasse emprego na farmácia, onde começou a aprender mais sobre a composição de remédios e se destacou ao assumir o laboratório.
Depois do trabalho, Ataulfo se juntava às rodas de samba no bairro do Rio Comprido, onde a paixão pela música se intensificou. Aprendeu a tocar violão e começou a organizar pequenas apresentações nas festas locais.
Carreira Musical
A carreira de Ataulfo Alves tomou forma em 1934, quando foi convidado para os estúdios da RCA Victor. Sua primeira gravação, “Tempo Perdido”, não fez sucesso imediato, mas foi fundamental para colocar seu nome em evidência.
Com o passar dos anos, lançou sucessos como “Saudade do Meu Barracão” e “Menina Que Pinta o Sete”. O cantor Carlos Galhardo destacou-se como um dos grandes intérpretes de suas canções. O reconhecimento veio de forma estrondosa em 1942, com “Ai, Que Saudade da Amélia”, que se tornou um marco do Carnaval e consolidou seu lugar na história da música brasileira.
Primeiras Gravações
Os anos 30 foram prolíficos para Ataulfo. Após o sucesso de “Saudade do Meu Barracão”, ele continuou a criar canções icônicas. Em 1938, seu samba “Errei, Erramos”, interpretado por Orlando Silva, alcançou grande popularidade.
Seu álbum de 1941, “Leva Meu Samba”, apresentou uma nova faceta de Ataulfo, que já demonstrava a capacidade de compor músicas que se tornariam essenciais no repertório brasileiro. O tema da saudade, um dos pilares das letras de Ataulfo, ficou ainda mais evidente.
Década de 50 e 60: O Apogeu
Durante os anos 50, Ataulfo se preocupou com a revitalização do samba e organizou o show “O Samba Nasce do Coração”, que revitalizou a cena musical carioca. Em 1967, o lançamento de “Laranja Madura” reafirmou sua relevância na música brasileira.
Em 1961, Ataulfo representou o Brasil na Europa e foi especialmente tocado ao ouvir o público cantar suas canções. Sua carreira foi marcada por inovações e colaborações com outros artistas, sempre buscando expandir os horizontes do samba.
Legado
Ataulfo Alves faleceu em 20 de abril de 1969, após complicações de saúde. Sua obra, repleta de emoção e lirismo, continua a influenciar músicos e a ser celebrada por novas gerações.
Suas composições, que falam da vida cotidiana e das relações humanas, permanecerão eternas no coração dos brasileiros. A música de Ataulfo Alves é, sem dúvida, um patrimônio cultural que ressoa até hoje.

