Caio Fernando Abreu
Escritor e jornalista brasileiro
Biografia de Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu (1948-1996) foi um escritor, jornalista e dramaturgo brasileiro, considerado um legítimo representante da geração que marcou a cena cultural do país nos anos 80.
Infância e Juventude
Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu em Santiago do Boqueirão, no interior do Rio Grande do Sul, no dia 12 de setembro de 1948. Com seis anos, escreveu seu primeiro texto. Em 1963, junto com a família, mudou-se para Porto Alegre, onde cursou o colegial. Em 1966, publicou seu primeiro conto “O Príncipe Sapo”, na revista Cláudia. Nesse mesmo ano, iniciou seu primeiro romance “Limite Branco”.
Em 1967, Caio Fernando Abreu ingressou nos cursos de Letras e de Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas não se formou. Em 1968, mudou-se para São Paulo para ingressar na primeira redação da revista Veja, após ser selecionado em um concurso nacional. Nessa época, era assíduo frequentador dos bares da moda, além de ser amigo do cantor Cazuza.
No começo dos anos 70, foi perseguido pela ditadura militar e passou a levar uma vida errante. Em 1971, foi morar no Rio de Janeiro, onde trabalhou como pesquisador e redator nas revistas Manchete e Pais e Filhos. Nesse mesmo ano, retornou a Porto Alegre, onde foi preso por porte de drogas.
Em 1973, fugindo do regime militar, Caio Fernando Abreu se exilou na Europa, morando em Londres e Estocolmo, onde teve que lavar pratos para se sustentar. Em 1974, voltou para Porto Alegre e recomeçou sua criação literária, escrevendo para o teatro e colaborando com diversos veículos de imprensa.
O Ovo Apunhalado (1975)
Em 1975, Caio Fernando Abreu lançou seu terceiro livro, “O Ovo Apunhalado”, que apresenta 21 contos divididos em três partes: ALFA, BETA e GAMA. A obra reflete os acontecimentos que abalaram a sociedade na década de 70, período marcado pela ditadura militar. A obra sofreu vários cortes da censura, mas mesmo assim foi considerada um dos melhores livros do ano e recebeu menção honrosa do Prêmio Nacional de Ficção.
Morangos Mofados (1982)
Em 1982, Caio Fernando Abreu lançou sua obra mais popular que o tornou conhecido: “Morangos Mofados”. Este é um livro de contos que se assemelham a verdadeiros curtas-metragens sobre a grande metrópole e os zumbis que habitam suas áreas de penumbra.
Nessa obra, ele encontra a medida justa para expressar a tragédia de uma geração, enfrentando o sufoco, a solidão, e o uso de bebidas, drogas, sexo, além da opção do suicídio. Um dos contos de maior destaque é “Sargento Garcia”.
Prêmios
Caio Fernando Abreu recebeu três vezes o Prêmio Jabuti, na Categoria Contos, Crônicas e Novelas, com as obras: “O Triângulo das Águas” (1984), “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso” (1989) e “As Ovelhas Negras” (1995). Em 1989, recebeu o Prêmio Molière, junto com Luiz Artur Nunes, com a peça “A Maldição do Vale Negro” (1988). Em 1990, publicou seu último romance “Onde Andará Dulce Veiga?”, que em 1991 recebeu o Prêmio da APC, de melhor romance do ano, sendo posteriormente adaptado para o cinema.
Doença e Morte
Em 1993, Caio Fernando Abreu passou a escrever crônicas semanais para o Estado de São Paulo. Em 1994, descobriu que era portador do vírus da AIDS. Resolveu declarar publicamente sua condição no mesmo jornal, por meio de uma série de três cartas intituladas “Cartas para Além do Muro”, onde revelou sua doença.
Caio Fernando Abreu faleceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 25 de fevereiro de 1996.
Frases de Caio Fernando Abreu
Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem.
Estou me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Estou me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem.
A vida é feita de escolhas. Quando você dá um passo à frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás.
Mesmo sem compreender, quero continuar aqui onde está constantemente amanhecendo.
Obras de Caio Fernando Abreu
- Limite Branco (1971)
- O Ovo Apunhalado (1975)
- Pedras de Calcutá (1977)
- Morangos Mofados (1982)
- Triângulo das Águas (1983)
- As Frangas (1988)
- Mel e Girassóis (1988)
- Os Dragões Não Conhecem o Paraíso (1988)
- A Maldição do Vale Negro (1988)
- Onde Andará Dulce Veiga? (1990)
- Ovelhas Negras (1995)
- Estranhos Estrangeiros (1996)

