António de Oliveira Salazar
António de Oliveira Salazar foi um dos políticos mais influentes da história de Portugal. Ele exerceu as funções de primeiro-ministro por 36 anos, de 1933 até 1968, e se destacou por implementar um regime autoritário que sufocou a proposta de oposição e alterou o curso da política portuguesa no século XX. Nessa época, Salazar se tornou uma figura reconhecida mundialmente, ao lado de outros líderes autoritários como Francisco Franco na Espanha e Benito Mussolini na Itália.
O governo de Salazar foi marcado por uma intensa repressão política e uma série de medidas econômicas e sociais que, embora estabilizadoras em alguns aspectos, não conseguiram melhorar o padrão de vida da população portuguesa, que continuou a enfrentar dificuldades e desafios durante seu mandato.
Biografia de António de Oliveira Salazar
Salazar nasceu no dia 28 de abril de 1889, na vila de Vimieiro, em Santa Comba Dão. Veio de uma família modesta; seus pais eram agricultores. Desde cedo, Salazar demonstrou uma afinidade pela educação e pela política, ingressando em um seminário onde estudou até 1908. Após isso, dedicou-se à carreira acadêmica, destacando-se no ensino de Economia e Direito na Universidade de Coimbra, onde se formou em 1914.
Em sua atuação política inicial, Salazar foi deputado pelo Centro Católico Português, mas renunciou pouco tempo depois, em meio a uma crise política que dominava o país. A instabilidade daquela época o levou a se afastar temporariamente da política em favor de sua carreira acadêmica.
Carreira Política
Aos poucos, as condições políticas em Portugal mudaram. Em 1926, após um golpe militar que derrubou o governo democrático, Salazar foi chamado para ocupar o cargo de Ministro da Fazenda. Este papel foi crucial para sua ascensão ao poder. Ele assumiu as finanças em um momento crítico, implementando medidas que buscaram estabilizar a economia do país, afetada por crises financeiras e políticas.
Em 1932, Salazar se tornou primeiro-ministro de facto. No ano seguinte, promulgou a nova Constituição, criando o que seria conhecido como o “Estado Novo”, um regime que buscava inspirações no fascismo, mas com nuances próprias. O sistema se caracterizou pela censura, repressão política e ausência de oposições viáveis, tornando-se cada vez mais autocrático.
Primeiro Ministro de Portugal
Entre 1933 e 1968, Salazar exerceu seu poder quase sem interrupções, sendo uma figura central na política portuguesa. Ele estabeleceu o “Estatuto do Trabalho Nacional”, que restringia as liberdades civis e colocava todos os trabalhadores sob a supervisão do Estado. Sua administração ficou marcada pelo controle rígido sobre a mídia e pela criação de políticas que promoviam um nacionalismo exacerbado.
Além disso, seu governo implementou vastos projetos de infraestrutura que visavam modernizar o país, mas esses esforços foram eclipsados pelas crescentes desigualdades sociais que persistiam. Salazar defendeu uma política de neutralidade durante a Segunda Guerra Mundial, embora estivesse alinhado ideologicamente com as potências do eixo, mantendo sua autonomia em relação ao que acontecia ao redor.
Outros Cargos Políticos
Durante a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial, Salazar também teve um papel ativo como Ministro de Assuntos Exteriores e colaborou com o regime de Francisco Franco. Essa colaboração se solidificou no Pacto Ibérico de 1939, que estipulava uma neutralidade estrita entre os dois países. Paradoxalmente, Salazar também começou a alinhar Portugal com potências democráticas, com a adesão ao Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 1949.
Um de seus maiores desafios foi a manutenção das colônias portuguesas na África e na Ásia, em um contexto de crescente descolonização durante meados do século XX. A partir de 1961, Portugal se viu envolto em conflitos armados nas colônias africanas, que foram um importante fator de instabilidade para o governo de Salazar.
Últimos Anos
Em setembro de 1968, Salazar sofreu um derrame que o incapacitou, levando à sua substituição por Marcelo Caetano. Mesmo após sua incapacidade, seu legado continuou a influenciar a política portuguesa até a Revolução dos Cravos em 1974, que derrubou o regime autoritário instaurado por Salazar. Ele faleceu em Lisboa em julho de 1970, e seus restos mortais foram enterrados em sua cidade natal, Santa Comba Dão.
Salazar continua a ser uma figura polêmica na história de Portugal, simbolizando um período de repressão e autoritarismo que deixou marcas profundas na sociedade portuguesa. Sua política econômica e social, embora estabilizadora na superfície, não conseguiu resolver as questões estruturais que afetavam a vida da maioria da população.
Perguntas Frequentes sobre António de Oliveira Salazar
- Qual foi o período em que Salazar governou?
Salazar foi primeiro-ministro de Portugal entre 1933 e 1968. - O que foi o Estado Novo?
O Estado Novo foi o regime autoritário instaurado por Salazar, inspirado em modelos fascistas. - Qual era a abordagem de Salazar durante a Segunda Guerra Mundial?
Salazar manteve uma política de neutralidade, mas alinhou-se ideologicamente com potências do eixo. - Como estava a economia portuguesa sob o governo de Salazar?
A economia foi estabilizada, mas as desigualdades sociais aumentaram durante seu regime. - O que ocorreu após o governo de Salazar?
Após sua saída, Portugal passou pela Revolução dos Cravos em 1974, que pôs fim ao regime autoritário. - Salazar foi um colaborador de quais regimes internacionais?
Salazar colaborou efetivamente com o regime de Francisco Franco na Espanha. - O que é o Pacto Ibérico?
Um acordo que firmou a neutralidade entre Portugal e Espanha durante o contexto da Segunda Guerra Mundial. - O que levou ao declínio do regime de Salazar?
Conflitos em suas colônias africanas e a incapacidade de modernizar a sociedade portuguesa foram fatores determinantes.
Legado de Salazar na História de Portugal
António de Oliveira Salazar permanece como uma das figuras mais controversas da história de Portugal, responsável por um regime que combinou estabilidade econômica com profunda repressão política. A análise de seu governo é fundamental para a compreensão da evolução política e social do país nas décadas seguintes.

