sexta-feira, janeiro 30, 2026
spot_img
HomePersonalidadesA Vida e o Legado de Carlos Marighella

A Vida e o Legado de Carlos Marighella

Carlos Marighella

Guerrilheiro político brasileiro

Biografia de Carlos Marighella

Carlos Marighella (1911-1969) foi um destacado guerrilheiro político brasileiro e um dos principais organizadores da resistência contra a ditadura militar instaurada em 1964. Morreu em uma emboscada na Alameda Casa Branca, em São Paulo.

Nascido em Salvador, Bahia, no dia 5 de dezembro de 1911, Carlos era filho do imigrante italiano Augusto Marighella e de Maria Rita do Nascimento, uma mulher da Baía, neta de ex-escravos. Cresceu em um lar humilde, no contexto da Baixa do Sapateiro, entre seis irmãos, onde fez seus estudos primários e secundários.

Desde cedo, Marighella se engajou em atividades políticas. Em 1932, escreveu um poema crítico ao interventor Juracy Magalhães, o que lhe rendeu a primeira prisão. Em 1934, abandonou a Engenharia Civil na Escola Politécnica da Bahia e se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), mudando-se para o Rio de Janeiro, onde se juntou à liderança do partido sob Luís Carlos Prestes e Astrojildo Pereira.

No dia 1 de março de 1936, durante a ditadura de Vargas (1930-1945), Marighella foi preso novamente sob acusações de subversão e sofreu torturas nas mãos da Polícia Especial, liderada por Filinto Müller, conhecido por sua brutalidade. Após sua libertação, e impedido de atuar legalmente, passou a viver na clandestinidade. O contexto entre 1934 e 1937 foi marcado pela radicalização política no Brasil, com frequentes confrontos entre comunistas e integralistas.

Em 1939, foi preso novamente e torturado, permanecendo encarcerado até 1945, quando a anistia durante a redemocratização do país permitiu sua libertação. O PCB, que operava na ilegalidade, foi reestabelecido no mesmo ano. A aproximação de Getúlio Vargas aos comunistas alarmou muitos setores políticos, e a expectativa de um novo golpe culminou na deposição de Vargas pelos militares em 1945, sem resistência. O general Eurico Gaspar Dutra venceu as eleições subsequentes.

Em 1946, Marighella foi eleito deputado federal constituinte pelo PCB da Bahia, mas logo perdeu o mandato após a cassação de todos os políticos do partido por Dutra. Continuou sua militância clandestina e ocupou diversos cargos dentro do PCB. Em 1953, foi enviado a China para compreender as repercussões da Revolução Chinesa de 1949.

A era populista que começou com Getúlio Vargas atravessou as décadas seguintes até 1964, marcando um período de intensas disputas políticas. As oposições civis e militares eram constantes, e a classe média – temerosa de uma possível transformação do Brasil em uma nova Cuba – acusava o presidente João Goulart de tendencioso ao comunismo. Em 31 de março de 1964, um golpe militar depôs Goulart e instaurou uma regime autoritário.

Com o início da chamada “operação limpeza”, muitos líderes sindicais, religiosos, estudantes e professores foram presos sob a acusação de subversão. Em maio de 1964, Marighella foi ferido por balas enquanto assistia a um filme no Rio de Janeiro e foi detido por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Libertado judicialmente em 1965, em 1967 se tornou um dissidente dentro do PCB, que resultou em sua expulsão.

Em 1968, Marighella criou o grupo armado “Ação Libertadora Nacional” com os dissidentes do PCB. O grupo envolveu-se em uma série de assaltos a banco e, em setembro de 1969, sequestrou o embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick, em uma ação conjunta com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), resultando na troca do embaixador por 15 prisioneiros políticos.

Além de sua militância, Carlos Marighella foi autor de vários escritos políticos notáveis, incluindo “A Crise Brasileira” (1966), “Pela Libertação do Brasil” (1967), “Algumas Questões Sobre as Guerrilhas no Brasil” (1967), “Chamamento ao Povo Brasileiro” (1968) e “O Mini Manual do Guerrilheiro Urbano” (1969). Esses textos serviram de guia para os movimentos revolucionários no Brasil.

Em novembro de 1969, Marighella foi emboscado na Alameda Casa Branca, em São Paulo, e morto a tiros por agentes do DOPS. Ele faleceu no dia 4 de novembro de 1969, deixando um legado complexo e controverso na história política brasileira.

Legado de Carlos Marighella

Marighella tornou-se uma figura emblemática não só pela sua luta armada e resistência, mas também pelos impactos que sua obra e discursos deixaram nas gerações subsequentes. Até hoje, continua a ser uma referência para debates sobre justiça, resistência e direitos humanos no Brasil.

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Most Popular

Recent Comments