Charles Perrault
Escritor francês
Biografia de Charles Perrault
Charles Perrault (1628-1703) foi um importante escritor francês. Ficou famoso pela compilação em linguagem simples de antigos contos do folclore europeu, entre eles, A Bela Adormecida, O Gato de Botas, Chapeuzinho Vermelho e o Pequeno Polegar.
Charles Perrault nasceu em Paris, França, no dia 12 de janeiro de 1628. Era filho de Pierre Perrault e de Paquette Le Clerc, descendente de uma nobre família de Tours, cidade próxima a Paris.
Em 1637, Charles ingressou no Colégio de Beauvais, onde realizou brilhantes estudos literários. Em 1643, iniciou o curso de Direito, que concluiu em 1651.
Início de carreira
Perrault atuou como cobrador geral da corte e depois iniciou sua carreira literária ao publicar uma série de odes dedicadas ao rei Luís XIV. Tornou-se assistente de Jean-Baptiste Colbert, o conselheiro da corte.
Suas primeiras obras eram bem distintas das que o tornariam famoso. É dessa época a obra “Ode Sobre o Casamento do Rei” (1663) e uma paródia do livro VI da “Eneida” de Virgílio.
Em 1665, passou a trabalhar na superintendência das obras públicas do reino e, em 1667, ordenou a construção do Observatório Real, seguindo o projeto de seu irmão, o arquiteto Claude.
Ele foi um dos colaboradores na fundação da Academia Francesa de Ciências e na reconstrução da Academia de Pintura.
Em 1671, com uma extensa publicação literária, incluindo “O Espelho ou A Metamorfose de Orante” (1666), “Diálogo de Amor e Amizade” (1668) e “O Parnassus Conduzido a Extremos” (1669), foi eleito para a Academia Francesa de Letras.
Na Academia Francesa, ele enfrentou uma longa disputa intelectual, chamada de “Querela dos Antigos e dos Modernos”. Os Antigos defendiam a supremacia da Antiguidade Greco-Romana, enquanto os Modernos acreditavam que a literatura francesa não era inferior aos clássicos do passado.
No dia 27 de janeiro de 1687, para comemorar a convalescença do rei, ele leu um poema na sessão da academia intitulado “O Século de Luís o Grande”, onde colocava escritores modernos como Molière e François de Malherbe acima dos autores clássicos gregos e romanos, gerando uma polêmica que durou muitos anos.
Perrault, liderando o grupo dos Modernos, tentou provar a superioridade da literatura de sua época, com a publicação de obras como “O Século de Luís o Grande” (1687) e “Parallèle des Anciens et des Modernes” (1688-1692).
O conto de fadas
Em 1697, com quase setenta anos, Charles Perrault publicou seus contos da carochinha (Contes de Ma Mère), escritos para distrair seus filhos. O grande mérito do autor foi dar um acabamento literário, em forma simples e elegante, a contos tradicionais e anônimos da memória popular. Estava criando um novo gênero na literatura: o conto de fadas.
O livro “Contos da Mãe Gansa”, publicado no dia 11 de janeiro de 1697, reuniu diversas histórias, entre elas, Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, A Gata Borralheira, O Gato de Botas, Pele de Asno, Cinderela, O Barba Azul, As Fadas, O Pequeno Polegar e muitos outros.
Essas histórias eram encerradas em forma de poesia, sempre contendo uma “lição de moral”.
Charles Perrault faleceu em Paris, França, no dia 16 de maio de 1703.
Legado e Impacto
A influência de Perrault na literatura é indiscutível. Ele não apenas popularizou histórias que se tornaram fundamentais na cultura ocidental, mas também estabeleceu o molde dos contos de fadas como os conhecemos hoje. Seus contos não apenas entretinham, mas também transmitiam lições e moralizavam comportamentos.
A narrativa simples e direta de Perrault facilitou a transmissão de valores e ensinamentos, tornando esses contos atemporais. Além disso, suas obras incentivaram outros escritores a explorar o gênero, como os irmãos Grimm, que mais tarde também adaptaram e popularizaram contos folclóricos.
Alguns críticos argumentam que a moralidade em suas histórias reflete as normas sociais da época, evidenciando o papel das mulheres e as funções de gênero no século XVII. A forma como personagens femininas, como Cinderela e a Bela Adormecida, são retratadas, suscitou debates sobre a representação da mulher na literatura.
A popularidade de Perrault também se reflete em adaptações modernas de suas histórias. A indústria do entretenimento frequentemente recria suas obras, em filmes, desenhos animados e peças teatrais, mantendo vivo o legado do autor para novas gerações.
Curiosidades sobre Charles Perrault
- Perrault era um membro ativo da elite intelectual parisiense, envolvendo-se em círculos literários e acadêmicos.
- Ao contrário de muitos escritores de sua época, ele começou a escrever contos apenas em sua velhice, mostrando que a criatividade pode florescer em qualquer fase da vida.
- O uso de finais felizes em seus contos é uma característica que ajudou a moldar o gênero, contrapondo-se a versões mais sombrias e antigas das histórias.
- Suas obras influenciaram não apenas a literatura, mas também a arte, fazendo com que muitos artistas se inspirassem em suas histórias para criar obras de arte icônicas.
O impacto cultural de Perrault na atualidade
Nos dias de hoje, a mensagem de Perrault ressoa em várias formas de mídia. As adaptações de seus contos continuam a ser um ponto de partida para discutir temas como poder, moralidade e identidade. As plataformas de streaming e o cinema frequentemente reimaginam seus contos, gerando novas interpretações que conectam com o público moderno.
O estigma em torno das “histórias para crianças” tem sido desafiado, e autores contemporâneos frequentemente revisitam as lições presentes nas narrativas de Perrault, adicionando complexidade aos personagens e enredos, refletindo a diversidade e as mudanças sociais atuais.
Finalmente, a obra de Perrault é muito mais do que simples contos de fadas; ela é uma rica fonte de aprendizado sobre a sociedade daquele tempo e cantares da eterna luta entre o bem e o mal, o que nos convida a refletir sobre as nuances da condição humana.

