André Vidal de Negreiros
Militar, líder na expulsão dos holandeses
Biografia de André Vidal de Negreiros
André Vidal de Negreiros (1620-1680) foi um destacado militar e líder na expulsão dos holandeses da Capitania de Pernambuco. Além de ser governador das Capitanias de Pernambuco, Maranhão e Grão-Pará, também atuou como Capitão-Geral em Angola.
Nascido no Engenho São João, na província de Filipéia de Nossa Senhora das Neves, atualmente João Pessoa, Paraíba, ele foi fruto de uma família de fidalgos portugueses, proprietários de terras e engenhos de açúcar. Desde cedo, André foi direcionado a uma carreira militar e administrativa.
Invasão holandesa
André estava apenas na infância durante a invasão holandesa e, ainda assim, participou ativamente das guerrilhas contra os invasores. Ele incendiou canaviais e engenhos, demonstrando um espírito de resistência desde novo. Com a presença permanente dos holandeses em Pernambuco, André se deslocou para a Bahia, mas sem esquecer seu desejo de reconquistar sua terra natal.
Em 1642, com a anuência de Maurício de Nassau, e um compromisso de não conspirar, voltou a Pernambuco para visitar parentes e amigos. No entanto, sob ordens do Governador Geral do Brasil, ele deveria retornar a Portugal para lutar na guerra contra a Espanha.
Herói da Insurreição Pernambucana
Desonrando seu compromisso, André organizou uma conspiração em Pernambuco, contando com o apoio de Antônio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira, importantes comerciantes e senhores de engenho. Durante a Batalha de Casa Forte, enfrentou os holandeses e obteve uma vitória significativa na propriedade de D. Ana Paes, que havia colaborado com os invasores.
Ele também participou do cerco ao Recife, onde foi ferido enquanto liderava suas tropas no Forte das Cinco Pontas, localizado na atual área de Santo Antônio. André lutou nas emblemáticas batalhas dos Montes Guararapes, ocorridas em 19 de abril de 1648 e 19 de fevereiro de 1649, em ambas, os holandeses foram derrotados.
A Ordem de Cristo
Após a expulsão dos holandeses, André foi encarregado de levar a notícia ao Rei Dom João IV. Em reconhecimento aos seus serviços, o rei o nomeou Alcaide de Marialva e concedeu-lhe o hábito da Ordem de Cristo.
De regresso ao Brasil, André buscou ocupações em cargos públicos e ampliou suas propriedades, assumindo a governança das Capitanias do Maranhão e do Grão-Pará, demonstrando sua influência na administração colonial.
Governador da Capitania de Pernambuco
No dia 26 de março de 1657, André assumiu o governo da Capitania de Pernambuco, cargo que também era desejado por João Fernandes Vieira, e permaneceu até 1660. Após seu mandato, foi nomeado para atuar em Angola, uma região com estreitas relações comerciais e políticas com Pernambuco, essencial na produção açucareira que dependia da mão de obra escrava.
Após seu retorno a Pernambuco, ele se estabeleceu no Engenho Novo, uma de suas propriedades, localizando-se em Goiana, na Capitania de Itamaracá. Ali, desenvolveu atividades de produção de açúcar, algodão e criação de gado, administrando terras que se estendiam até o vale do Paraíba, a região onde nasceu.
André Vidal de Negreiros faleceu no Engenho Novo, em Goiana, na Capitania de Itamaracá, no dia 3 de fevereiro de 1680.
Curiosidades:
- André teve um filho ilegítimo, Matias Vidal de Negreiros, que nunca foi reconhecido pelo pai. Após a morte de André, Matias buscou seus direitos junto ao rei D. Afonso VI e se tornou herdeiro de grande parte da fortuna paterna.
- O racismo na colônia era ainda mais pronunciado do que na corte. Matias, ao recorrer ao rei, conseguiu se tornar cavaleiro da Ordem de Cristo, com um documento que atestava seus serviços e de seu pai.
- Esse mesmo documento era preconceituoso, afirmando que “a mulatice estava perdoada porque era um defeito comum naquela capitania” e destacando, posteriormente, que “por parte da mãe é um defeito ordinário em quase todos os naturais de Pernambuco”.
Legado de André Vidal de Negreiros
André Vidal de Negreiros é lembrado como um importante líder militar e político na luta contra a ocupação holandesa no Brasil, refletindo a resiliência e a coragem do povo pernambucano. Sua trajetória destaca não apenas suas conquistas, mas também os desafios enfrentados durante uma época de intensa turbulência e transformação na história colonial brasileira.

