Afonso III de Portugal
Quinto rei de Portugal
Biografia de Afonso III de Portugal
Afonso III de Portugal (1210-1279) foi o quinto rei de Portugal. Seu reinado se estendeu por 31 anos, de 1248 a 1279. Para a posteridade ficou sua produção legislativa. São-lhe atribuídas mais de duzentas leis e a criação de um sistema fiscal que tornou o reino mais próspero.
Recebeu o cognome de o Bolonhês por seu casamento com Matilde II, Condessa de Bolonha, nobre francesa, filha do conde Reinaldo e da condessa Ida da Bolonha.
Afonso III nasceu em Coimbra, Portugal, em 5 de maio de 1210. Era o segundo filho do rei Afonso II de Portugal e de sua esposa Urraca de Castela. No que tange à sua ascendência, por parte de pai era bisneto de Afonso Henriques e Mafalda de Saboia, enquanto, por parte de mãe, era bisneto de Henrique II da Inglaterra e de Leonor de Aquitânia.
Como segundo filho, Afonso não era o herdeiro do trono português, que estava destinado ao seu irmão Sancho, que ascendeu ao trono em 1223. Em 1227, Afonso mudou-se para a França, vivendo como vassalo do rei Luís IX e desfrutando das regalias da corte gaulesa.
Os quase 19 anos que passou na França lhe conferiram experiência em governança e no manejo de negócios públicos. Em 1238, casou-se com Matilde, condessa de Bolonha, o que lhe rendeu o cognome.
Em 1245, a relação entre seu irmão Sancho II e a Igreja se deteriorou, levando o papa Inocêncio IV a solicitar um novo rei, devido à insatisfação com a administração do monarca.
O rei Sancho II, ao resistir a esse golpe papal, instaurou uma guerra que se estendeu de 1245 a 1246. Neste último ano, por meio da bula Inter alia desiderabilia, o papa excomungou e depôs Sancho II, considerando-o um rex inutilis, e mandou que os portugueses escolhessem um novo rei.
Dom Sancho abdicou em 1247, devido à pressão contínua da Santa Sé, e exilou-se em Toledo, onde faleceu em 4 de janeiro de 1248.
O Reinado de Afonso III
Após a morte de seu irmão, Afonso retornou a Portugal e, em janeiro de 1248, iniciou seu reinado como o quinto rei da Dinastia de Borgonha.
Nos primeiros meses de seu governo, Afonso III focou na pacificação e reconciliação com a Igreja, estabelecendo boas relações com comerciantes e pequenos proprietários de terra. Assim que a estabilidade política disse a ele que era hora de expandir os domínios, ele voltou sua atenção para os conflitos externos.
Em 1249, Afonso III deu início à reconquista do Sul da Península Ibérica, assumindo o controle de Faro e do Algarve, aproveitando o enfraquecimento do domínio muçulmano na região após a conquista de Sevilha por Fernando III de Leão e Castela em 1248.
Contudo, a questão da soberania do Algarve não foi totalmente resolvida de imediato, gerando tensões entre Portugal e Castela. Esse conflito foi devidamente abordado em 1267 com a assinatura do tratado de Badajoz, que estabeleceu as fronteiras entre os dois reinos.
Afonso III apenas não dormiu sobre os louros de suas vitórias. Ele também implementou um sistema de conselhos, especialmente nas áreas urbanas mais importantes. Muitas cartas de foral foram concedidas ao longo do reinado, e os conselheiros passaram a fazer parte nas reuniões das Cortes, com destaque para as de Leiria em 1254.
Durante seu governo, o monarca fixou-se na cidade de Lisboa, onde adquiriu propriedades e fortaleceu as finanças do reino com intervenções legislativas que regulamentaram as atividades econômicas, preços e salários, junto com concessões destinadas a incentivar o comércio.
Uma das iniciativas políticas mais significativas de Afonso III foi o lançamento das Inquisições Gerais em 1258, que tinham como objetivo o levantamento de propriedades e direitos jurisdicionais da coroa, evitando os abusos dos senhores feudais.
Afonso III e a Nobreza
O relacionamento de Afonso III com a nobreza foi um importante sucesso para a coroa. O rei reestruturou os altos cargos nobiliárquicos, promovendo uma nova nobreza, fiel à administração real, reforçando uma nobreza de serviço.
Apesar de alguns descontentamentos, essa nova ordem contribuiu para o período de pacificação da nobreza durante seu reinado.
Afonso III e o Clero
A relação do rei com o clero, a partir de 1254, entrou em crise quando o papa Alexandre IV impôs um interdito sobre o reino. O motivo foram as suspeitas de bigamia, já que Afonso III havia se casado com Beatriz de Castela, sem que seu primeiro casamento com Matilde de Bolonha tivesse sido anulado.
O rei ainda estava casado com Matilde, que por sua vez protestou contra o papa. Somente após a morte de Matilde em 1258, os bispos portugueses solicitaram a revogação do interdito e a legitimação do casamento de Afonso e Beatriz, que ocorreu em 1268.
Os conflitos continuaram, culminando em queixas oficiais apresentadas ao papa, que resultaram no lançamento de um novo interdito. Afonso III também enfrentou acusações de abuso de poder contra clérigos.
Com a resistência de ambas as partes, a situação foi deteriorando até que, em 1279, o papa Nicolau III excomungou Afonso, que, ciente de sua morte iminente, acabou por renunciar a suas ações e prontificou-se a restituir os direitos decaídos dos clérigos, culminando em seu perdão.
Dom Afonso III faleceu em Alcobaça, Portugal, em 16 de fevereiro de 1279, e foi sepultado no Mosteiro de Alcobaça, com as honras devidas a um rei.
Descendência e Sucessão
A primeira esposa de Afonso III foi Matilde II de Bolonha, mas não deixou descendência com ele.
Com Beatriz de Castela, teve sete filhos, embora apenas quatro tenham chegado à vida adulta.
Afonso III foi sucedido por seu filho D. Dinis I, que nasceu antes do reconhecimento papal do casamento de seu pai com Beatriz, o que gerou dúvidas sobre a legitimidade do novo rei.
O Legado de Afonso III
Afonso III de Portugal deixou um legado notável, marcado por avanços legislativos e conquistas territoriais significativas. Sua habilidade em lidar com a nobreza e o clero, associada ao fortalecimento do comércio, define um período importante na história portuguesa.

