Carlos Drummond de Andrade
Poeta brasileiro
Biografia de Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX. “No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho”, é um trecho de um de seus poemas mais conhecidos. Drummond foi também cronista e contista, mas foi na poesia que mais se destacou, sendo o poeta que melhor representou o espírito da Segunda Geração Modernista, com uma poesia de questionamento em torno da existência humana.
Infância e formação
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira de Mato Dentro, interior de Minas Gerais. Desde pequeno, mostrou interesse pelas letras. Iniciou seus estudos em sua cidade natal e, em 1916, ingressou em um colégio interno em Belo Horizonte. Contudo, ao adoecer, retornou para Itabira, onde continuou a educação com aulas particulares.
Em 1918, foi estudar em um colégio interno em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, mas acabou expulso por “insubordinação mental”. Essa experiência inicial contribuiu para moldar sua personalidade inquieta e sua visão do mundo.
De volta a Belo Horizonte em 1921, começou a publicar textos no Diário de Minas, integrando o Movimento Modernista Mineiro. Em 1922, ganhou um prêmio importante com o conto Joaquim do Telhado.
Em 1923, por insistência da família, matriculou-se no curso de Farmácia, onde conheceu Mário de Andrade. Concluiu o curso em 1925, mas jamais exerceu a profissão. Nesse mesmo ano, fundou A Revista, um espaço crucial para a afirmação do Modernismo.
Drummond lecionou português e geografia em Itabira, mas não se adaptou à vida interiorana, decidindo retornar a Belo Horizonte, onde foi redator no Diário de Minas.
Carreira pública
Em 1928, Drummond ingressou no serviço público, ocupando cargos relevantes ao longo de sua vida. Em 1934, mudou-se para o Rio de Janeiro e assumiu a chefia do gabinete do ministro de Educação e Saúde, Gustavo Capanema, onde permaneceu até 1945. Após se aposentar em 1962, seguiu firme em sua trajetória como poeta.
O poeta Drummond
Em 1928, Drummond publicou o célebre poema No Meio do Caminho, que dividiu opiniões e provocou polêmica. A repetição do momento da pedra no caminho desafiava as convenções poéticas da época, levando críticos a questionar sua relevância literária.
Durante essa fase, publicou seu primeiro livro Alguma Poesia (1930), onde retratou a vida cotidiana e as angústias do ser humano. O Poema de Sete Faces, que abre a obra, revela sua originalidade e inquietação:
O homem atrás do bigode
É sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Nos seus versos, o leitor encontra uma vasta gama de emoções, podendo refletir sobre a solidão e as dificuldades da vida.
Anos 40
Com o livro Sentimento do Mundo (1940), Drummond mostra solidariedade com a humanidade e expressa suas preocupações em um mundo em transformação. A destruição da Segunda Guerra Mundial serviu como pano de fundo para sua poesia, que se tornou ainda mais incisiva e crítica.
Em 1942, ele publicou José, um poema que se tornou um marco de sua obra. A figura anônima do personagem evoca o sentimento de desamparo e a emergência de questões existenciais:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou.
O povo sumiu,
a noite esfriou.
No final da década de 1940, seu livro A Rosa do Povo explora a alienação do ser humano na sociedade moderna. Drummond condena a desumanização do cotidiano, repleta de ironia.
Anos 50 e 60
Entre 1951 e 1962, sua produção poética continuou a evoluir com Claro Enigma e Lição de Coisas. Drummond transitava entre a poesia reflexiva e uma escrita experimental, próxima do Concretismo.
No poema O Corpo, ele desafia a forma e convida o leitor a uma nova experiência estética. A busca pela linguagem perfeita torna-se um tema recorrente em sua obra, refletindo sobre as complexidades da existência.
Anos 70 e 80
As últimas décadas de sua vida trouxeram um aprofundamento em temas universais. Sua poesia aborda a memória, a família, e questões íntimas. Obras como Menino Antigo e As Impurezas do Branco exploram nostalgia e reflexões sobre o ser humano.
Prosas, contos e crônicas
Drummond também se destacou na prosa, publicando obras como Confissões de Minas e Contos de Aprendiz. Sua habilidade com a crônica o tornou uma figura importante na literatura brasileira, contribuindo em publicações renomadas ao longo de sua carreira.
Características da obra de Drummond
Como representante da Segunda Geração Modernista, Drummond se destaca pela profundidade de sua poesia. Ele trabalhou com temas existenciais e sociais, sempre com um olhar crítico sobre a realidade. O uso de ironia e humor se faz presente, tornando seus versos ainda mais acessíveis e próximos da vida cotidiana e das questões humanas.
Família
Drummond casou-se com Dolores Dutra de Morais, sendo pai de Maria Julieta e Carlos Flávio. Sua vida pessoal teve um impacto significativo em sua obra, tendo vivido momentos marcantes ao lado de sua família. O poeta faleceu em 1987, poucos dias após a morte de sua filha, deixando um legado inestimável na literatura brasileira.
Cinema e música
Seus poemas foram adaptados para o cinema e a música popular. Obras como O Padre e a Moça inspiraram filmes, e diversos músicos brasileiras musicaram seus textos, como Milton Nascimento.
Obras de Carlos Drummond
Poesias
- Alguma Poesia (1930)
- Brejo das Almas (1934)
- Sentimento do Mundo (1940)
- Poesias (1942)
- A Rosa do Povo (1945)
- Poesia até Agora (1948)
- Claro Enigma (1951)
- Viola de Bolso (1952)
- Fazendeiro do Ar & Poesia Até Agora (1953)
- Poemas (1959)
- A Vida Passada a Limpo (1959)
- Lições de Coisas (1962)
- Boitempo (1968)
- Menino Antigo (1973)
- As Impurezas do Branco (1973)
- Discurso da Primavera e Outras Sombras (1978)
- O Corpo (1984)
- Amar se Aprende Amando (1985)
Prosas
- Confissões de Minas (1942)
- Contos de Aprendiz (1951)
- Passeios na Ilha (1952)
- Cadeira de Balanço (1970)
- Moça Deitada na Grama (1987)

