Ariano Suassuna
Escritor brasileiro
Biografia de Ariano Suassuna
Ariano Suassuna foi um dos grandes nomes da literatura brasileira, particularmente conhecido por sua obra “O Auto da Compadecida”, que se tornou um marco da dramaturgia nacional e foi amplamente adaptada para cinema e televisão. Além de sua criatividade singular, Suassuna foi um defensor das tradições do folclore nordestino, trazendo à tona questões sociais e culturais de maneira muito singular e acessível.
Foi um polivalente: poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, professor e advogado. Em 1989, Ariano foi eleito para a cadeira n.º 32 da Academia Brasileira de Letras, tendo ocupação similar em outras academias importantes de Pernambuco e Paraíba.
Infância e Formação
Ariano Vilar Suassuna nasceu no Palácio da Redenção em João Pessoa, Paraíba, em 16 de junho de 1927. Ele era o oitavo filho de um casal composto pelo então governador da Paraíba, João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna, e Rita de Cássia Dantas Villar. Passou parte da infância na fazenda Acahuan, no sertão paraibano.
Com a Revolução de 1930, seu pai foi assassinado e, a partir de 1933, a família se deslocou para Taperoá, onde Suassuna teve seus primeiros conhecimentos sobre a cultura local, através de apresentações de mamulengos e desafios de viola.
Em 1938, mudou-se para o Recife, onde estudou em colégios renomados. A adolescência foi marcada pela descoberta da literatura e da arte que viriam a moldar seu futuro como escritor e professor.
Carreira literária
Ariano fez sua estreia na literatura em um poema no Jornal do Commercio em 1945. Em 1946, ele entrou na Faculdade de Direito do Recife e fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco, o que consolidou seu envolvimento com a dramaturgia.
Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol, que conquistou reconhecimento e prêmios. Em 1950, formou-se em Direito e se dedicou à advocacia e ao teatro, com obras sempre ligadas às tradições populares nordestinas. Sua peça Auto de João da Cruz ganhou o prêmio de destaque da Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco, marcando seu crescimento como dramaturgo.
Após se mudar para Taperoá, Suassuna continuou sua produção artística, escrevendo Torturas de um Coração, que redefiniu sua trajetória no gênero da comédia. Em 1952, ele produziu O Arco Desolado, celebrada em concursos e eventos literários.
O Auto da Compadecida
O maior êxito de Suassuna se deu com a comédia O Auto da Compadecida, escrita em 1955. A peça apresenta elementos da tradição medieval dos Milagres e traz um tom crítico, abordando temas como a hipocrisia e a corrupção de maneira leve e irônica. A peça estreou no Teatro Santa Isabel em 1956 e, logo após, ficou em cartaz em todo o Brasil, arrastando plateias e conquistando prêmios.
Ariano se destacou ao retratar a vida no sertão, com personagens bem construídos como João Grilo e Chicó, que foram levados para o cinema em diferentes versões, uma das quais, com Os Trapalhões, tornou-se um clássico.
Professor de Estética
Em 1956, Suassuna começou a lecionar Estética na Universidade Federal de Pernambuco. Sua paixão pela educação refletiu seu desejo de difundir a cultura nordestina. Além de ser um educador querido, Ariano sempre buscou trazer suas experiências artísticas para a sala de aula.
Movimento Armorial
Em 1970, Ariano fundou o Movimento Armorial, com a missão de criar uma arte erudita genuinamente brasileira, utilizando elementos da cultura popular, como folhetos de cordel e festas tradicionais. O movimento almejava valorizar a riqueza cultural do Brasil, rompendo barreiras entre o popular e o erudito.
Romance d’A Pedra do Reino
Em 1971, publicou a obra monumental Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta, que mescla elementos de cordel e epopeia, resultado de dez anos de trabalho. A obra teve profunda influência na literatura e na cultura popular, provocando eventos como a Cavalgada à Pedra do Reino, que acontece anualmente na divisa de Pernambuco e Paraíba.
Academia Brasileira de Letras
Suassuna escreveu mais de quinze livros e dezoito peças teatrais, e suas obras ganharam adaptações para séries e filmes. Ao ser eleito para a Academia Brasileira de Letras, ele consolidou ainda mais seu papel como um dos grandes nomes da literatura brasileira.
Aula Espetáculo
A ideia de aulas-espetáculos ganhou força sob sua direção, onde contava histórias embasadas nas tradições locais, conquistando plateias por onde passava. O objetivo era mostrar a cultura pernambucana de uma forma envolvente e educativa.
Últimos Anos
Na década de 2000, Ariano continuou a trabalhar na literatura e assumiu diversas posições de importância cultural no estado, incluindo a Secretaria Especial de Cultura. Seu trabalho sempre foi pautado pela devida valorização do que é nacional e popular, motivo pelo qual deixou um legado inigualável.
Em 2013, Ariano começou a trabalhar no projeto A Ilumiara, que, ao longo de 33 anos, buscava reunir suas experiências em romance, teatro e poesia.
Doença e morte
A trajetória de Suassuna foi interrompida em 2014, quando sofreu complicações de saúde, culminando em sua morte no dia 23 de julho. Sua contribuição ao Brasil e à literatura, no entanto, permanece viva e inspiradora.
Frases de Ariano Suassuna
- “Arte para mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico, mas arte é missão, vocação e festa.”
- “Tenho duas armas para lutar contra o desespero: o riso e o galope do sonho.”
- “Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora.”
- “O sonho é o que leva a gente para frente; se seguirmos a razão, ficamos aquietados.”
- “A humanidade se divide em dois: os que concordam comigo e os equivocados.”
Obras de Ariano Suassuna
- Uma Mulher Vestida de Sol, 1947
- Cantam as Harpas de Sião, 1948
- Os Homens de Barro, 1949
- Auto de João da Cruz, 1950
- Torturas de um Coração, 1951
- O Arco Desolado, 1952
- O Castigo da Soberana, 1953
- O Rico Avarento, 1954
- Ode, 1955
- O Auto da Compadecida, 1955
- O Casamento Suspeito, 1956
- A História de Amor de Fernando e Isaura, 1956
- O Santo e a Porca, 1958
- O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna, 1958
- A Pena e a Lei, 1959
- A Farsa da Boa Preguiça, 1960
- A Caseira e a Catarina, 1962
- O Pasto Incendiado, 1970
- Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta, 1971
- Iniciação à Estética, 1975
- A Onça Castanha e a Ilha Brasil, 1976
- História d’O Rei Degolado, 1976
- Sonetos Com Mote Alheio, 1980
- Poemas, 1990
- Almanaque Armorial, 2008

