Agamenon Magalhães
Agamenon Magalhães (1894-1952) foi um destacado político brasileiro, conhecido por desempenhar papéis importantes na política de Pernambuco e em nível federal. Sua trajetória inclui cargos como Deputado Estadual, Deputado Constituinte, Ministro do Trabalho, Ministro da Justiça, Interventor Federal e Governador de Pernambuco.
Nascido em Vila Bela, atual Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco, Agamenon Magalhães teve uma formação educacional impressionante. Filho de Sérgio Nunes Magalhães e Antônia de Godoy Magalhães, ele completou o curso primário em sua cidade natal. Posteriormente, estudou por dois anos no Seminário de Olinda e no Colégio Diocesano. Em 1916, graduou-se em Ciências Políticas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife.
Biografia de Agamenon Magalhães
Agamenon Magalhães iniciou sua carreira política sob a orientação de Manuel Borba, sendo nomeado promotor público do município de São Lourenço da Mata. Em 1922, participou da campanha em favor da candidatura de Nilo Peçanha à presidência da República, o que marcou o início de sua trajetória de destaque na política brasileira.
Com apenas 29 anos, foi eleito deputado estadual e reeleito para mais um mandato. Em 1927, alcançou mais uma conquista ao ser eleito para a Câmara Federal. Durante o período político tumultuado, tornou-se uma figura influente na Aliança Liberal, que derrubou o governo de Estácio Coimbra em Pernambuco em 1930. Em 3 de maio de 1933, Agamenon foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte e foi o deputado mais destacado da bancada pernambucana, defendendo o sistema parlamentarista de governo.
Carreira Política
Durante sua carreira, Agamenon Magalhães defendeu o desenvolvimento do crédito agrícola, a intensificação da produção de alimentos e a elaboração de uma legislação que facilitasse o acesso à propriedade da terra para os agricultores. Também era favorável à criação de um sindicato único por categoria profissional, com supervisão pelo Ministério do Trabalho.
Ministro do Trabalho
Com a promulgação da Constituição de 16 de julho de 1934, o presidente Getúlio Vargas recompôs o ministério e nomeou Agamenon como Ministro do Trabalho. Essa posição era crucial em um contexto marcado por tensões sociais e políticas, e Agamenon se destacou por sua postura autoritária e anticomunista, aproximando-se gradualmente de Vargas.
Ministro da Justiça
No dia 7 de janeiro de 1937, Agamenon acumulou o Ministério do Trabalho com o Ministério da Justiça. Nesse papel, ele aprovou o novo Código Eleitoral, popularmente conhecido como Lei Agamenon, e convocou as eleições para a Presidência da República. Sua influência na política federal cresceu à medida que ele se tornou uma figura central nas disputas eleitorais da época.
Durante esse período, ele se viu envolvido na complexa relação política entre as diversas forças que disputavam a sucessão presidencial, notadamente Armando de Sales Oliveira, José Américo de Almeida e Plínio Salgado. Com a decretação do Estado Novo pelo presidente Getúlio Vargas em 10 de novembro de 1937, Agamenon foi parte de um novo regime que trouxe profundas mudanças nas esferas política e social do Brasil.
Getúlio depôs Carlos de Lima Cavalcanti e nomeou Agamenon Magalhães como interventor federal em Pernambuco em dezembro de 1937, um cargo que lhe conferiu um poder significativo sobre a administração estadual.
Deputado Federal
Em 1945, Agamenon foi eleito Deputado Federal, liderando uma forte bancada pernambucana. Nesse período, ele ocupou a presidência da Comissão Constitucional e da Sub-Comissão da Ordem Econômica e Social. Seu trabalho como deputado incluiu a defesa do monopólio estatal do petróleo e a autoria da conhecida Lei Anti-Trust, popularmente chamada de Lei Malaia.
No entanto, em 29 de outubro de 1945, apenas cinco meses após a promulgação de seu decreto-lei, Getúlio Vargas foi deposto por um golpe militar, marcando um período de transição política significativo no Brasil.
Governador de Pernambuco
Após um período de intensa atividade política, em 1950, Agamenon decidiu candidatar-se ao governo de Pernambuco. Ele rivalizou com João Cleofas de Oliveira e foi eleito com uma pequena margem. Durante sua gestão, enfrentou desafios, especialmente no Recife, onde encontrou oposição significativa, descrevendo a cidade como “cruel”.
A política em Recife era dominada por forças de esquerda, reunidas na chamada Frente Popular, mas Agamenon não se deixou desanimar. Ele estabeleceu um acordo com a oposição e iniciaram uma série de obras significativas, como o asfaltamento de estradas em todo o Estado, promovendo o desenvolvimento regional.
Ele implementou reformas para organizar as finanças públicas e combater o cangaço, além de realizar obras contra a seca e fundar diversos centros operários e escolas. A sua administração focou no saneamento básico e na saúde, mostrando uma preocupação genuína com o bem-estar da população.
Agamenon Magalhães faleceu no Recife em um fulminante ataque cardíaco em 23 de agosto de 1952. Em reconhecimento à sua contribuição para a política e o desenvolvimento de Pernambuco, uma das principais avenidas do Recife foi nomeada em sua homenagem, a Avenida Agamenon Magalhães, em 26 de outubro de 1970.

