8 cientistas brasileiras importantes: conheça estas mulheres (e suas descobertas)
As mulheres na ciência ainda são poucas se comparadas ao número de homens que se dedicam aos estudos e pesquisas científicas. Isso ocorre não por falta de capacidade, mas sim por conta da desigualdade de oportunidades, falta de representatividade e de incentivo, além da discriminação e assédio nesses ambientes dominados por homens. Ainda assim, muitas cientistas incríveis se destacam em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde temos nomes importantes tanto no passado como no presente.
1. Bertha Lutz (1894-1976)
Bertha Lutz é um grande nome da ciência no Brasil. Nascida em 1894, desenvolveu um trabalho potente e relevante na primeira metade do século XX. Se formou na França em ciências naturais e também em direito no Brasil. Seu objeto de pesquisa foram os anfíbios, tanto que algumas espécies de animais foram batizadas com seu nome, como a perereca Aplastodiscus lutzorum e a raia Hypanus berthalutzea.
Além de cientista, Bertha também teve um papel essencial no feminismo brasileiro, contribuindo muito na luta pelo voto feminino no país, o que só ocorreu em 1932.
2. Elisa Frota Pessoa (1921-2018)
Uma das pessoas responsáveis pela fundação do Centro Brasileiro de Pesquisas foi uma mulher, seu nome é Elisa Frota Pessoa. Elisa nasceu em 1921 no Rio de Janeiro e estudou física contra a vontade de seu pai, que esperava que ela tivesse uma vida como esposa e dona de casa. Entretanto, em 1942 ela se torna a segunda mulher no Brasil a se formar em física. Seus estudos se concentraram na radioatividade.
3. Graziela Maciel Barroso (1912-2003)
Chamada de Primeira Dama da Botânica no Brasil, Graziela Barroso nasceu em 1912 em Corumbá (MS). Começou a aprender botânica de maneira autodidata e apenas aos 47 anos ingressou no curso de biologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, defendendo doutorado aos 60 anos. É a maior referência em taxonomia de plantas no Brasil e se tornou um nome importante também internacionalmente. Cerca de 25 espécies de plantas foram batizadas levando seu nome como homenagem.
4. Lélia Gonzalez (1935-1994)
Lélia foi uma pesquisadora essencial para a construção e o aprofundamento dos estudos de gênero, raça e classe em nosso país. Doutora em antropologia, importante área das ciências sociais, ela ajudou a criar o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio de Janeiro. Nascida em 1935 em Belo Horizonte, desenvolveu um pensamento filosófico, teórico e prático com enfoque principalmente na vivência das mulheres negras latino-americanas.
5. Maria José Deane (1916-1955)
Na área da ciência médica, uma das mulheres que se destacou foi Maria José Deane, que se especializou em parasitologia. Paraense, nascida em 1916, se formou na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, em 1937. Seu marido também foi cientista e, juntos, eles viajaram pelo Brasil para pesquisar sobre diversas enfermidades causadas por parasitas em todo o país. Ocupou cargos relevantes na Fiocruz e contribuiu grandemente para a saúde pública e erradicação de doenças.
6. Enedina Alves Marques (1913-1981)
Enedina nasceu em 1916 em Curitiba (PR) e conseguiu um grande feito: ser a primeira engenheira negra no Brasil. Se formou em 1945 pela Universidade Federal do Paraná e trabalhou no plano hidrelétrico de seu estado, além de outras obras públicas. Seu legado é uma inspiração para muitas mulheres que sonham em atuar em áreas dominadas por homens.
7. Nise da Silveira (1905-1999)
Quando falamos em psiquiatria no Brasil, Nise da Silveira é uma das primeiras pessoas lembradas. A alagoana, nascida na primeira década do século XX, desenvolveu um trabalho primoroso na área da saúde mental, revolucionando e humanizando o tratamento dado aos pacientes com transtornos psiquiátricos. Nos anos 40, foi médica no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, e aprofundou as pesquisas e tratamentos usando a arte e o convívio com animais, tendo sucesso numa época em que os métodos utilizados eram muitas vezes violentos.
8. Marta Vannucci (1921-2021)
A oceanógrafa Marta Vannucci nasceu na Itália em 1921 e veio para o Brasil ainda criança, em 1927. Se formou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e aos 25 anos defendeu seu doutorado. Mais tarde fez parte do Instituto Oceanográfico da USP, dedicando seus estudos ao ecossistema de mangues, tornando-se uma autoridade no assunto internacionalmente.
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Saiba mais sobre a contribuição das científicas brasileiras
O trabalho dessas e de muitas outras mulheres científicas no Brasil é fundamental para o avanço não só da ciência, mas também para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O papel dessas mulheres inspiradoras deve ser reconhecido e valorizado, pois serve de exemplo para as futuras gerações que desejam enveredar pelo caminho da pesquisa e da ciência.

