Charles de Gaulle
General e político francês
Biografia de Charles de Gaulle
Charles de Gaulle (1890-1970) foi um general e político francês, reconhecido como um dos principais líderes aliados durante a Segunda Guerra Mundial e uma figura central na política do pós-guerra. Ele nasceu em Lille, França, no dia 22 de novembro de 1890, filho de Henri de Gaulle, um educador, e Jeanne Maillot, descendente de uma próspera família empresarial. De Gaulle não apenas moldou a história militar da França, mas também teve um impacto significativo na política mundial.
Carreira militar
O percurso militar de Charles de Gaulle começou em 1910, quando ingressou na Academia Militar de Saint-Cyr. Ele se destacou na Primeira Guerra Mundial, onde foi ferido em três ocasiões e capturado pelas forças alemãs em Verdun, em 1916. Sua experiência em combate moldou suas visões sobre a guerra e o papel das forças armadas.
Após o conflito, em 1921, lecionou história militar na mesma academia em que estudou. Em 1924, graduou-se pela Escola Superior de Guerra. No ano seguinte, ingressou no gabinete do general Philippe Pétain, tornando-se um dos colaboradores mais próximos dele.
De Gaulle posteriormente foi promovido a major em 1927, servindo em Trier e no Líbano. Na década de 1930, suas ideias inovadoras sobre a modernização das forças armadas entraram em desacordo com a estratégia militar tradicional da França, que dependia da Linha Maginot para defesa. Ele acreditava que a resposta ao avanço da mecânica do exército alemão deveria ser uma força blindada móvel e uma aviação robusta.
Essas ideias foram expressas em seu trabalho, “O Fio da Espada” (1931), seguido por “Por um Exército de Profissionais” (1934) e “A França e seu Exército” (1938), onde ele defendia a importância de um exército preparado para se adaptar às novas realidades da guerra moderna.
Segunda Guerra Mundial
Ao estourar a Segunda Guerra Mundial em 1939, De Gaulle, já coronel desde 1937, estava à frente da IV divisão blindada. Ele ficou conhecido por sua resistência durante o avanço alemão em Montcornet e Abbeville em maio de 1940. No mesmo ano, tornou-se general de brigada e subsecretário de guerra do primeiro-ministro Paul Reynaud.
Infelizmente, em 1940, com a derrota da França pelos alemães, De Gaulle desembarcou na Inglaterra, onde se tornou uma voz proeminente da resistência, transmitindo mensagens de rádio que encorajavam os franceses a lutarem contra a ocupação alemã.
Como líder do movimento França Livre e presidente do Comitê Francês de Libertação Nacional, De Gaulle simbolizou a resistência da França e uniu as forças que lutavam pela liberdade.
Presidente do governo provisório
Após a libertação de Paris em agosto de 1944, Charles de Gaulle foi nomeado presidente do governo provisório pela Assembleia Constituinte em novembro do mesmo ano. Ele restaurou a autoridade do governo central e com isso reiniciou a justiça contra colaboradores dos nazistas, sendo notável o julgamento do marechal Philippe Pétain, que foi indultado, e do primeiro-ministro Pierre Laval, que foi executado.
Renúncia de Charles de Gaulle
Em janeiro de 1946, insatisfeito com a intriga política dos partidos, De Gaulle decidiu renunciar ao cargo de primeiro-ministro. Em 1947, ele fundou o “Rassemblement du Peuple Français”, atacando diretamente o sistema parlamentarista da época e aproveitando o pânico popular em relação ao comunismo. Ele se afastou temporariamente da política, percorrendo um caminho de reflexão que o levaria de volta ao cenário político em um futuro não muito distante.
Presidente da V República
Em maio de 1958, a Argélia estava à beira de uma guerra civil, e De Gaulle foi chamado para assumir a liderança. Nesse contexto, ele apresentou uma proposta de revisão constitucional significativa. A nova constituição foi aprovada em setembro, e em dezembro, De Gaulle foi eleito presidente da Quinta República Francesa.
Em sua administração, ele fomentou a cooperação com nações africanas recém-independentes e surpreendentemente apoiou a emancipação da Argélia. Seu governo também se destacou por firmar relações diplomáticas com a República Popular da China em 1964 e reformar as forças armadas do país.
De Gaulle continuamente buscou fortalecer o papel do executivo, propondo a eleição do presidente através do sufrágio universal, uma ideia que culminou em um referendo em outubro de 1962 que foi aprovado pela população. Em dezembro de 1965, ele foi reeleito, consolidando seu poder.
Segundo mandato presidencial
No início de 1966, De Gaulle começou seu segundo mandato, onde manteve uma política de aproximação com a Europa Oriental e criticou a intervenção dos Estados Unidos no Sudeste Asiático. Ele defendia que as questões de paz deveriam ser discutidas com base nos acordos de Genebra de 1954. Em 1968, a França se retirou da Organização do Tratado do Atlântico Norte, resultando na remoção das bases americanas em território francês.
De Gaulle, claramente desconfortável com a crescente influência dos EUA, opôs-se à entrada do Reino Unido no Mercado Comum Europeu. No contexto do Oriente Médio, ele se colocou ao lado das nações árabes contra Israel e fez declarações de apoio ao movimento separatista de Québec no Canadá.
Em 1968, a “crise de maio” emergiu, com estudantes e trabalhadores saindo às ruas, resultando em greves e manifestações que balançaram seu governo. Este tumulto político o levou a dissolve o Parlamento em um ato de força política. Em maio de 1969, ao perder um referendo sobre reformas administrativas, ele renunciou ao cargo, sendo sucedido por seu ex-primeiro-ministro, Georges Pompidou.
Charles de Gaulle faleceu em Colombey-les-Deux-Églises, França, no dia 9 de novembro de 1970. Em sua homenagem, o aeroporto de Roissy foi renomeado para “Aéroport Paris-Charles de Gaulle” em março de 1974.
Frases de Charles de Gaulle
- Os homens só serão grandes se estiverem realmente decididos a sê-lo.
- O fim da esperança é o começo da morte.
- A igreja é o único lugar onde alguém fala comigo e não tenho de responder.
- A glória só chega àqueles que com ela sonharam.
- O Brasil não é um país sério.

